O vínculo do amor

 

 

Sonhava...

Era a criança que beijava

Bonecas,

Preparava mamadeiras

Banhos,

Trocava roupinhas e cantava

Canções de ninar.

 

Sonhava...

Que teria uma imensa

Barriga

E dois corações pulsando,

Um no peito e outro

Naquela barriga.

 

Sonhava...

Com o momento sublime

De escutar o choro do seu

Bebê.

Tão acalantado e amado

Nos sonhos infanto juvenis.

 

Sonhava...

Que teria bastante leite

Para alimentá-lo,

O leite que ele encontraria

Bem próximo a seu coração.

 

Sonhava...

Quem não sonhou um dia

Certamente não foi criança,

É o sonho quem ajuda

A gente a crescer.

 

Quando cresceu, precisou

Parar de sonhar e esperar

A chegada daquele bebê,

Sonhado e nunca sentido

Na barriga (que não cresceu).

 

Um dia, acordada,

Acariciou aquela criança,

Que sempre esteve presente,

Como vida em sua vida,

Como as batidas do coração.

 

Naquele dia inesquecível...

A reconheceu como num

Encanto

E soube que ela já havia

Sido beijada por outros

Lábios,

Abraçada por outros braços.

 

Naquele momento, seu

Coração

Se fez ninho para acolhê-la

E ela adormeceu nele,

Tornando real o vínculo do

Amor...

A adoção.

 

Marinalva de Sena Brandão

 

 

 

 

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