Projeto Criança - Desenvolvimento, Educação e Cidadania
 

                            Infância

  Um gosto de amora

     Comida com sol.

  A vida chamava-se “agora”.

                                                                   Guilherme de Almeida

    

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 O jornal do Projeto Criança / UFPR –  Ano II - N.09 - junho/1999

                                                                

 

A AUTO-ESTIMA

O ser humano tem uma característica muito diferenciada - a autoconsciência. Primeiramente temos de desenvolver a capacidade de refletir sobre nós mesmos e nossa relação com o mundo e, em seguida, começamos a desenvolver autoconsciência. Esta autoconsciência é construído de uma maneira completamente interligada com o nosso relacionamento com as outras pessoas. Isso significa que, quanto mais alguém conhece os outros mais essa pessoa é capaz de refletir sobre si mesma. A maneira como alguém se descreve reflete também a sua auto-estima. Essa auto-estima é construída pelas nossa interações com as pessoas ao nosso redor, especialmente as pessoas que têm um significado afetivo para nós.

Cada vez mais estudos demonstram a relação de uma auto-estima elevada e nossa qualidade de vida. Isso parece evidente: se alguém acredita em si mesmo e em suas potencialidades, o seu caminho profissional, pessoal, afetivo, já está parcialmente trilhado. Portanto, cada um de nós pode imaginar a importância de se cultivar essa auto-estima desde muito cedo na vida da criança. Ela é essencial. Devemos lembrar que as crianças passam a acreditar no que ouvem sobre sua pessoa. Em vez de apontar aspectos negativos para os filhos - "Você é tão egoísta", é preciso apontar sempre os pontos positivos - "Adorei quando você emprestou o carrinho novo para sua irmã!". Você pode ajudar seu filho a refletir sobre seu comportamento e seus sentimentos. Ao ajudar uma criança a se preocupar com a própria auto-reflexão, você estará contribuindo para a construção de uma eficácia pessoal emocional. Ou seja, em vez de se preocuparem excessivamente com a opinião dos outros, passarão a refletir e avaliar seu próprio comportamento e ter uma visão crítica sobre si mesmo. Isso é auto-consciência construído sob uma forte auto-estima.

A auto-estima é tão importante que quase todas as intervenções atuais que implicam em recuperação, em qualidade de vida, em treinamento, em psicoterapia... tem a ver com auto-estima. Parece que, na ânsia de querer disciplinar os filhos, muitos pais acabam por minar essa auto-estima. Ela é a primeira construção que devemos fazer com as crianças. Devemos dar mais modelos do que punições; pintar mais com eles do que apontar dedos em riste; brincar mais e abraçar mais; mostrar limites sim, sempre, mas sem violência, sem humilhação. O poder do amor é impressionante. Acredite!

Essa auto-estima é tão importante que o Projeto Criança começou um trabalho com Meninos de Rua da Fundação Profeta Elias de Curitiba. O título do nosso trabalho é justamente "Resgatando a auto-estima", sobre o qual vocês lerão em seguida, inclusive sobre o método da Musicoterapia que estamos utilizando nesse trabalho. Há pouco tempo atrás, achava-se que "brincar" era uma coisa sem importância, no máximo uma atividade para preencher o tempo. Hoje sabemos da importância das brincadeiras para a construção da identidade - leiam no artigo da educadora Ana Maria Silva.

Por fim, esse é o mês dos namorados.... Enamore-se de você primeiramente.... e então, será mais fácil enamorar-se da vida! Abraços,

Lidia N. Dobrianskyj Weber (lidia@uol.com.br)

 

¨ FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE MENINOS DE RUA PROFETA ELIAS

Acreditando no ser humano!

Patrícia Pereira Teixeira, Aluna 5º ano de Psicologia/ UFPR; Estagiária Projeto Criança - Barba@ifnet.com.br

 

Este trabalho de recuperação de meninos de rua é desenvolvido numa chácara, há 5 anos, por Fernando Goes que trabalha com crianças carentes desde 1982.

Os meninos vem direto da rua. Existe uma equipe de educadores, formada inclusive por ex-menores, que passam um tempo com os meninos e fazem o convite para ir até a chácara convite e a permanência não é obrigatória. No início, ficam um fim de semana e voltam para as ruas, porque não há vagas, mas assim que surgem vagas eles voltam. A casa da chácara tem capacidade para aproximadamente 23 meninos, mas já está em construção uma segunda casa para mais 20 meninos. De acordo com Fernando, com um grupo menor é possível fazer um trabalho mais próximo. Não existe muita rotatividade na chácara, o que demonstra a qualidade do trabalho.

Os meninos trabalham na granja, na agricultura (arroz, feijão, ervas medicinais), com vaca leiteira, criação de abelhas, serigrafia, horta. Todos estudam e à tarde fazem além dessas atividades, inglês, teatro, futebol. A proposta é oferecer qualificação , para que tenham maiores oportunidades no mercado de trabalho. "Se a sociedade não os quer nas ruas, então que ofereça essas condições", ressalta Fernando. Eles fizeram no ano passado um curso de mecânica, entretanto a idéia é tentar trabalhar com eles dentro daquilo que tem facilidade, vocação.

Existe também uma preocupação em trabalhar as famílias dos meninos. Assim que a criança ingressa na chácara a sua família é procurada e, uma vez por mês, a assistente social visita todas as famílias. As famílias conhecem a chácara, e é organizada uma discussão com os meninos sobre as dificuldades na família; os próprios meninos preparam uma pauta com situações que viveram na família, para ver se evoluíram em alguma coisa. Nos fins de semana algumas famílias vem até a na chácara, onde ajudam em algum trabalho mas principalmente se aproximam dos filhos. No fim do ano e nas férias de julho as crianças passam um tempo com a família e anualmente é realizado um encontro com todas as famílias na chácara. Há uma preparação com a família para mostrar o crescimento e a evolução dos meninos. "A chácara na vida dessas crianças é uma muleta: alguém tem dificuldade para caminhar a gente ajuda, mas tem que depois caminhar com as próprias pernas". O retorno para a família é complicado, em torno de 10%. Todas as famílias querem que eles retornem para a casa, mas nem todos os meninos querem o mesmo. Houve muito sofrimento em sua família, mas já houve casos de retornos que deram certo. O importante é o menino saber que a família está bem. E com o trabalho que é feito com as famílias, elas também crescem muito, em questão de organização, de convivência com os filhos, até de dominar o alcoolismo. A partir do momento que se começa um trabalho com a família, 70%dos problemas emocionais se resolvem. A mãe sabe que ele tá bem, e ele sabe que a família está bem , ele também ficará bem, e isso ajuda emocionalmente. Os meninos melhoram na escola, na chácara, no gosto pela vida, mas continuam aqui por outros motivos, pela afetividade.

A experiência de Fernando na Comunidade Profeta Elias resultou em um livro que está sendo editado pela Unicef. A idéia surgiu a partir de discussões de pessoas que conheceram o trabalho na chácara e das apresentações do grupo de teatro dos meninos, que sempre gerava discussão. É um livro coletivo, todos escreveram sobre a família, a rua e a chácara. Um livro que, segundo o coordenador, deve servir não como modelo mas como referência. Nas palavras de Fernando: "São meninos muito inteligentes; eu falo que essa criançada vai para a rua porque não vão se submeter a uma sociedade omissa e a uma família, em que a mãe ou o próprio pai não tem tempo. E vão para a rua buscar uma outra forma de vida e infelizmente acabam encontrando a morte, pelas drogas, essas coisas todas. Eles se organizam, refletem, mas falta oportunidade".

É diante desse amor pelo ser humano e pelo crédito em uma vida digna para todos, que o Projeto Criança começou um trabalho de Grupo com esses meninos. Todas as sextas-feiras à tarde, Francine, Flávia, Patrícia, Shanny , supervisionadas por Lidia, estão fazendo um resgate da auto-estima, através de dinâmicas de grupo, através da música, através da dança, ajudando esses meninos a amar a vida.

 

¨ VOCÊ SABE O QUE É MUSICOTERAPIA?

Francine Krum Gonçalves, Musicoterapeuta; membro do Projeto Criança - Iraja@klabin.com.br

 

A Musicoterapia é um novíssimo campo de atuação profissional e está ajudando muitas pessoas. Apesar de ser uma profissão nova, a relação do ser humano com a música é tão antiga quanto a humanidade. Tanto é que os povos antigos davam-lhe grande valor, atribuindo-lhe poder de cura, diversão e meio de comunicação em diversas áreas como no campo da religião, da medicina e da sociedade. Até hoje a música é uma necessidade de todas as culturas.

"Comparando a música com as outras artes, vemos que é ela que tem maior poder de atuação sobre o indivíduo, em vista da sua excepcional força biológica. Por ser uma forma de comportamento humano, a música exerce uma influência única e poderosa sobre o homem. Qualquer que seja o seu propósito-num momento de alegria, de tristeza, de exaltação cívica, de recolhimento religioso- ela se relaciona sempre com o homem, pois nasceu de sua mente, de suas emoções, o que lhe confere, por isso mesmo, esse poder magnético de atingi-lo. A música poderá provocar no indivíduo a comunicação, a identificação, a fantasia, a expressão pessoal e levá-lo ao conhecimento de si mesmo" afirma Leinig (1977).

A partir desta relação é que a Musicoterapia estabelece sua base de trabalho. É uma forma de tratamento que utiliza toda e qualquer manifestação sonora para produzir efeitos terapêuticos. Ou seja, através do uso da música, dos sons e do movimento, estabelece-se uma relação de ajuda, onde o Musicoterapeuta objetiva auxiliar seu paciente em suas necessidades(como prevenção, reabilitação, bem como uma melhor interação do indivíduo com a sociedade). Podendo existir uma melhora nos aspectos cognitivos, afetivos, psicomotores e sociais, através de instrumental simples, jogos recreativos, atividades rítmicas, cantadas, dramatizadas e sensório-motoras. Sendo, é claro, a música o canal de comunicação

O emprego da música é utilizado com o objetivo de conservar a saúde, a felicidade e o conforto do homem. A boa música harmoniza o ser humano, trazendo-o de volta a padrões mais saudáveis de pensamento, sentimento e ação, conseguindo renovar a divina harmonia e o ritmo do corpo, das emoções e do espírito do homem. E se a Musicoterapia estiver alcançando seus objetivos, o paciente começará a funcionar melhor como pessoa completa.

No Paraná a Musicoterapia teve início em meados dos anos 70, com a implantação do curso de especialização em Musicoterapia na FEMP. A partir de 1983 o curso torna-se graduação e é aprovado pelo MEC no ano de 1986 onde funciona até hoje na Faculdade de Artes do Paraná(FAP). A duração do curso é de quatro anos e o aluno deve entrar na Faculdade pelo menos dominando um instrumento musical ou canto. O musicoterapeuta pode atuar em Hospitais Psiquiátricos, Hospitais Clínico-Gerais, escolas regulares, escolas especiais, clínicas geriátricas, centros de reabilitação, Hospitais Dia, clínicas multidisciplinares, programas de recuperação para dependentes químicos e alcoolistas, empresas, área social(meninos de rua, menores infratores, detentos) e consultórios particulares.

 

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR

Ana Maria F.Borges Silva, Orientadora Educacional, Professora da UNISANTA, Membro Projeto Criança - fontesana@zipmail.com.br

 

" A vida real seria insuportável, se não fossem os sonhos" (Anatole France)

 

Brincar o que significa exatamente esta palavra no mundo da educação infantil?

Brincar é atividade mais importante da infância. Por meio dos jogos, das brincadeiras as crianças aprendem a se relacionar com o mundo a sua volta. O brincar é um fenômeno universal. O jogo esta presente em todas as formas de organização social. Na área educacional contamos com os referenciais nacionais de educação infantil, documento que é constituído de um conjunto de referências e orientações pedagógicas. Este documento salienta a importância do brincar, como enriquecimento da própria identidade da criança experienciando outras formas de ser e pensar, ampliando suas concepções sobre coisas e pessoas. Enfoca que a motivação da brincadeira é sempre individual e depende das emoções de cada criança que podem ser vivenciadas em comum, em situações de interação social. O documento como o próprio nome diz, é referência para a orientação dos profissionais da educação; não é uma "cartilha". Temos, sim, subsídios para podermos entender, avaliar, reconsiderar, concluir, enfim ampliar concepções da educação infantil. Há diversos recursos para mostrarmos à sociedade como um todo, o verdadeiro valor desse nível de ensino. As universidades, os centros de pesquisas podem desempenhar papel importante realizando investigações do desenvolvimento infantil, divulgando estudos e assessorando equipes.

Por meio dos jogos e brincadeiras as crianças adquirem e testam novos conhecimentos. Representam situações que observam no seu dia-a-dia, expressam suas angústias, seus medos, suas necessidades, seus prazeres, suas fantasias. As brincadeiras deverão ser feitas seguindo um enfoque baseado na teoria do desenvolvimento infantil, ou seja, respeitando as características de cada faixa etária de cada criança e levando em consideração que esta é um ser único desde que nasce.

Será que um recém-nascido, já é capaz de brincar? O recém-nascido reage ao ambiente por meio de suas sensações, quem brinca é a mãe. A mãe faz a ponte do mundo externo para o interno. Aos 4 meses a criança começa realmente a brincar, possibilitada pelo controle dos movimentos (o olho já se torna diretor, há precisão nos movimentos das mãos). Ela brinca com sons e repete-os é uma preparação para a linguagem. Brincar com objetos variados vai fazendo com que a criança forme noções básicas como: peso, textura, altura distância. É fundamental que os adultos procurem tocar, observar e interagir com crianças, desde bebês. Estímulos devem fazer parte do cotidiano infantil, possibilitando diversificar as experiências e oferecer oportunidades para a ampliação do seu conhecimento.

Por volta dos seis meses aparecem os dentes, fato que vem a vivenciar de forma lúdica e que representa o processo de abandonar a relação única com a mãe. Morde objetos, enfia o dedo no nariz, na boca. Para a psicologia simboliza a questão do amor; a preparação da forma adulta de amar. Entre 8 e 12 meses, a criança se desloca no espaço engatinhando. É o momento que brinca de espelho. Ela não percebe que é ela. A mãe fala várias vezes e assim ela começa a se reconhecer; como um corpo separado da mãe. Há importância dos animais de estimação, onde serão objetos de amor e maus tratos.

Aos 2 anos são interessantes brincadeiras de passar água e areia de potes. Simboliza a necessidade de controlar os esfíncteres. É interessante estar realizando mais atividades neste sentido com aquelas crianças que apresentam maiores dificuldades quanto a esse controle. Aos 3 anos pega no lápis. Primeiras figuras humanas. Dá um grande significado; é a maneira de gravar sua própria identidade, para que ela se aproprie de seu corpo. Aos 3/4 anos existe um valor maior das histórias infantis. Elege pessoas da família para ser seu contador, como também cria as suas próprias histórias. As brincadeiras antigas; as músicas, as dramatizações, os livros, as histórias na sua diversidade: fábulas, lendas, carochinhas, parlendas; as conversas e os passeios, são indispensáveis para favorecer o desenvolvimento da criança e favorecer suas várias formas de expressão.

"Brincar é um processo que também ensina à criança limites entre a realidade e o imaginário, funcionando como um fator de extravasamento de emoções que pode inclusive, prevenir a violência na fase adulta. Quem brinca é a mãe ou a pessoa que cuida da criança, transmitindo-lhe afetividade e estabelecendo vínculos importantes para o seu crescimento" (Infância sem brincadeiras pode criar adulto violento - entrevista dada ao Diário Oficial do Município de Santos, em 28 de Maio de 1999).

 

¨ CONTINGÊNCIA

Luiz Alberto Machado, Jornalista/Escritor/Editor - Nascente@sunnet.com.br

 

CONTINGÊNCIA

Quando passo na Duarte Coelho*

todo mundo se me faz revelar

verdades inauditas

que o Brasil faz resplandescer

e só ele sabe reluzir

O menino chora ao meu braço

- Me dá uma esmolinha pelamor de Deus!!!!!!

Choraminga no meu ombro confuso

De olhos sombrios não sei quê responder

o bolso... o bolso... não tem nada

mas... o coração...

o coração tenho prá chorar.

 

*Duarte Coelho é uma ponte do centro do Recife. Lá estão, à noite, famílias envolvidas em caixas de papelão para amainar o frio noturno. Meninos e meninas fazem uma prole de oito filhos numa verdadeira escadinhas, 10, 8,7,6,5,4,3 e 2 anos de idade. O pai embriagado ronca; a mãe clama pela caridade alheia. Às 11 horas da noite. In: Machado, L.A. (1987). Canção de Terra. Recife: Bagaço.

 

¨ SEÇÃO PIADINHA

Pai e filho fazem um trato: boas notas no colégio ou castigo: um mês sem jogar vídeo-game.

No fim do ano, chega o boletim com quase todas as notas vermelhas.

- Filho, você não cumpriu o trato!

- É pai, então você também não precisa cumprir a sua parte!

Convido a todos os amigos curitibanos, (e aos não curitibanos também convido para visitar nossa querida e linda cidade) para a Noite de Autógrafos da 2ª edição do livro LAÇOS DE TERNURA: PESQUISAS E HISTÓRIAS DE ADOÇÃO. O evento será realizado no dia 19 de junho, das 18:00 às 21:00 hs, no Centro de Convenções do Shopping Crystal Palace (Piso L2).

Lançamento da Editora Juruá (041) 252-7666. http://www.jurua.com.br E-mail: editora@jurua.com.br .

Lidia Natalia Dobrianskyj Weber

 

¨ TOQUE DE TERNURA

Fazer "estudos comparativos" entre seu filho e outras crianças não é interessante. Evite dizer "o seu irmão é melhor do que você em...", ou "Seu amigo João faz isso tão bem...". Cada criança é única e os pais tem o dever de deixar essa criança florescer no máximo de sua auto-estima. Valorize seu filho a cada dia!

¨ SEÇÃO CIDADANIA

"O dinheiro que não é destinado às escolas ou às creches será, cedo ou tarde, destinado às prisões".

Pierre Bordieu, sociólogo, professor do Collège de France, em entrevista à Folha de SP (Caderno Mais) de 07/02/99.

¨ CINEMA - PERIGO PARA A SOCIEDADE

EUA, 1993. Direção: The Hughes Brothers. Elenco: Tryum Turnes, Vonte Sweet, Samuel L.Jackson e Bill Duke. Filme indicado para quase todos os prêmios internacionais. Exibido no festival de Cannes; melhor filme de 93 pela MTV; Prêmio "Free Spirit" 94.

Dois irmãos gêmeos, 21 anos, os "Hughes Brothers" contam sobre o submundo dos guetos americanos. É sobre a história de Caine que viu a violência desde cedo, através da vida e da morte de seus pais, e viu seus amigos matarem e serem mortos com brutalidade. A forma como os Hughes contam a história de Caine é bastante singular e cativante.