
CIRANDA
N 14 TEMA : ADOÇÃO
Ano
II, Nº14 – 8 de novembro de 1999
- Tema: ADOÇÃO
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PELO DIREITO DE SER FELIZ!
Você
consegue dizer, pelas fotos apresentadas, quem foi menino ou menina
de rua, quem foi maltratado, quem é filho adotivo ou quem sempre viveu
com a sua família? É claro que não! E nem deve haver essa diferença!
Todas as crianças são sujeitos de direitos, ou seja, todas têm os mesmos
direitos e não devem ser discriminadas.
Ainda
existem muitas crianças no Brasil que precisam ter acesso à cidadania.
A hora da criança é agora e cada um de nós pode fazer parte dessa história!
Dia
20 de novembro comemoram-se 40 anos da Declaração dos Direitos da Criança
e 10 anos da Convenção Internacional dos Direitos da Criança. A exposição
de fotos e o folder foi idealizada pelo PROJETO CRIANÇA com o
apoio e patrocínio do sensacional fotógrafo Manoel
Guimarães (41 336-8522) e toda sua equipe (especialmente Cláudia
e Simone) e da Secretaria Municipal da Criança (41 352-4184),
um órgão da Prefeitura de Curitiba que mostra soluções! Contamos também
com o trabalho de G8 Comunicação (336-0088) e Xinef Gráfica e Editora
(278-4387). Agradecemos a cada uma das pessoas que empenhou o seu trabalho
em prol das crianças e aos pais e as crianças e adolescentes que encheram
nossos dias de graça e alegria! Participaram deste trabalho República
Nova Esperança (352-4184), Meninos de Quatro Pinheiros (833-1159), Lar
o Bom Caminho (246-8944) e Crianças e Adolescentes de famílias adotivas
e biológicas.
A
Exposição de fotos estará nos seguintes locais em Curitiba:
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a 15 de novembro – Shopping Mueller; 17 de novembro – Memorial de Curitiba;
18 nov. a 31 de dez. – Estação Plaza – dia 20, das 15 às 18 apresentações
artísticas com as crianças e adolescentes de projetos sociais; janeiro
2000 – Biblioteca Pública do Paraná.
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Em 20 de novembro de 1959, a Assembléia Geral
das Nações Unidas aprovou os dez princípios da Declaração Universal
dos Direitos da Criança, que são válidos até hoje.
A
criança tem direito à igualdade, sem distinção de raça, religião
ou nacionalidade.
A
criança tem direito a ser compreendida, deve ter oportunidade de
se desenvolver em condições de igualdade e oportunidade com liberdade
e dignidade.
A
criança tem direito a um nome e a uma nacionalidade.
A
criança tem direito à alimentação, direito de crescer com saúde
e a mãe deve ter cuidados médicos, antes e depois do parto.
A
criança deficiente tem direito à educação e cuidados especiais.
A
criança tem direito ao amor e à compreensão, deve crescer sob proteção
dos pais com afeto e segurança para desenvolver a sua personalidade.
A
criança tem direito à educação para desenvolver as suas aptidões,
suas opiniões e seu sentimento de responsabilidade.
A
criança em qualquer circunstância, deve ser a primeira a receber
proteção e socorro.
A
criança não deve ser abandonada, espancada ou explorada, não deve
trabalhar quando isso atrapalhar a sua educação, sua saúde e seu
desenvolvimento físico, mental e moral.
A
criança deve ser protegida de preconceito, deve ser educada com
o espírito de amizade entre os povos, de paz e fraternidade, e deve
desenvolver as capacidades para o bem de seus semelhantes.
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DOR E AMBIVALÊNCIA DE UMA CRIANÇA INSTITUCIONALIZADA
Tenho
oito anos e moro nesta instituição desde os seis anos. O juiz me trouxe
para cá; pensei que ia ver minha mãe... não gostei no primeiro dia,
daí nos outros gostei. Uma vez fugi, as irmãs ficavam xingando, não
gostava… Conheci só minha mãe e minha vó, mas o juiz não deixou ficar
com a minha mãe, porque ela me queimava. Nunca recebi visitas de ninguém...
só de um tio que dá festas aqui para todas as crianças d o Lar. Tenho
saudades da minha mãe... e se eu tivesse com ela estaria bom e ia
ser mais feliz com ela... porque eu acho que gosto dela. Meus maiores
desejos? Ir morar com minha família, ir embora com a tia italiana
que vem aqui e ter minha mãe de volta! Quero casar sim, daí eu vou
ter filho e acho que é bom, daí o menino vai pra escola… Quero muito
ser adotada por um casal para eu ter pai e mãe, seria legal, muito
bom, ia ter irmão, ter uma família assim que nem os outros… (Menina
de 8 anos).
"Estou
certo de que as crianças sabem muito mais do que são capazes de dizer
, e é aí que reside a diferença entre elas e os adultos que, no melhor
dos casos , sabem apenas uma fração do que dizem .Isso acontece simplesmente
porque as crianças sabem tudo com todo o seu ser, enquanto nós sabemos
apenas com a cabeça . " Jacques Lusseyran
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ADOÇÃO: CONTAR OU NÃO CONTAR, EIS A QUESTÃO
Solange
Diuana Mussalem,
psicóloga, Rio de Janeiro
Percebemos
que, ainda hoje, existe uma grande dúvida referente a revelação da
adoção. Primeiramente gostaria de levantar duas questões: Quem tem
o direito de saber? E: Quem tem o direito de contar?
Na
maioria dos casos é o adotado, seja ele criança, adolescente ou adulto,
o único que formalmente desconhece esse fato. A família inteira sabe,
a grande maioria dos vizinhos e amigos conhece essa história, todos
comentam "em segredo", o segredo, mas os pais não têm coragem
de enfrentar as reações que o filho adotivo possa ter, quando descobrir
sua origem e sua verdadeira história.
Os
argumentos que sustentam o seu medo são os mais variados. Uns acreditam
estar protegendo a criança; outros temem que, com a revelação, ela
vai abandoná-los e sair em busca da sua família biológica; outros,
ainda, temem não serem reconhecidos como pais.
Considerando
que não é fácil, para uma família que ama e cuida de um filho há anos,
quebrar esse "pacto de silêncio", onde, na realidade, o
que ocorre é que a criança "não quer saber" e os pais não
conseguem contar, o ideal seria que os pais adotivos estivessem preparados
para, desde o princípio, conversar naturalmente com o filho assim
como os pais biológicos falam sobre o nascimento e o desenvolvimento
de suas crianças. Responder a curiosidade da criança de forma autêntica
e verdadeira é o melhor caminho para se estabelecer uma relação de
confiança na família.
Nenhum
pai ou mãe tem a intenção de mentir para o seu filho; é o receio que
faz com que adiem o momento da revelação. Alguns "detalhes"
sobre o nascimento e o desenvolvimento inicial da criança são omitidos
e essa omissão vai se transformando em pequenas mentirinhas que tendem
a crescer e acabam por levar a família à uma situação insustentável.
Vão surgindo falhas na comunicação pois, para evitarem situações embaraçosas,
todos fogem de temas que possam trazer à tona o assunto que gera sofrimento
e a adoção se torna um "tabu" cada vez mais difícil de ser
enfrentado.
Os
pais convivem, ainda, com o medo de que o filho venha a saber a verdade
na hora errada e pela pessoa errada. Sabemos que isso realmente acontece
e, às vezes, de uma forma brusca transformando-se num episódio traumático.
Não
é necessário esperar um dia especial ou uma idade melhor para conversar
com o filho sobre sua adoção. Se a família estiver preparada, esse
revelar vai acontecer naturalmente e a criança vai lidar com a sua
história sabendo que ela começou de uma forma diferente de muitas
outras mas nem por isso pior ou melhor, apenas diferente.
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SEÇÃO DESENVOLVIMENTO E EDUCAÇÃO - COMO ELES
BRIGAM!
Ana
Lúcia Gatti, psicóloga, SP. Revisão: Sandra Augusta de Melo, psicóloga,
UFU.
-
Parem com isso!
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Não é possível!
Muitas
vezes ouvimos estas frases serem ditas por mães diante de brigas com
de filhos.
Estas
mães preocupam-se especialmente pelo fato de acreditarem que as brigas
entre as crianças signifiquem que elas não tem, umas pelas outras,
o afeto que gostariam tivessem.
Mas
será que estas brigas demonstram sempre que os irmãos não se gostam?
Na
maioria das vezes não é assim, pois estas mesmas mães percebem que
seus filhos, em outros momentos, brincam juntos, auxiliam-se e sofrem
quando o outro é colocado de castigo ou recebe bronca.
Muitas
dessas brigas ocorrem especialmente na presença dos pais ou diante
de algum objeto, que ambos desejariam ter exclusivamente para si,
assim como também gostariam de ter somente para si os pais.
São
brigas ocasionadas pelo ciúme, ocorrência até certo ponto natural,
e também pelo desejo de cada um conquistar seu lugar, definir seu
espaço no ambiente familiar, algo que os adultos também seriam capazes
de compreender se não olharem apenas para o aspecto mais evidente,
o da agressão.
É
importante que as crianças desenvolvam suas formas de buscar conquistar
o espaço e, nesta tarefa, as disputas naturais entre os irmãos podem
auxiliá-las a encontrar as maneiras mais eficazes que deverão mais
tarde, quando adultas, utilizar nas situações sociais.
Certo
nível de agressividade é importante para todos. Ela faz parte da habilidade
cada um em buscar seus objetivos e vai permitir ao adulto encontrar
seu espaço na sociedade, muitas vezes disputando com outras pessoas.
À
mãe, ou ao pai, cabe a tarefa de compreender estes momentos e, gradativamente,
ir ensinando outras formas de negociação, que não apenas a disputa
física, sem entretanto querer suprimir na criança todos os seus aspectos
agressivos, pois estes são também importantes para uma vida bem sucedida.
A
maneira de utilizá-los é o que vai definir a maior ou menor adaptação
que o adulto virá a ter diante das futuras disputas da vida, onde
nem sempre se ganha, mas das quais jamais sairá vencedor alguém que
não soube lutar.
(Artigo
elaborado no Projeto para Divulgação da Psicologia da PUCCAMP).
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SEÇÃO TERNURINHA - UM SÓ TIME
Há
alguns anos atrás, nas Olimpíadas Especiais de Seattle, nove participantes,
todos com deficiência mental ou física, alinharam-se para a largada
da corrida dos 100 metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente
em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida
e ganhar. Todos, com exceção de um garoto, que tropeçou no asfalto,
caiu rolando e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram
o passo e olharam para trás. Então eles viraram e voltaram. Todos
eles. Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou, deu um beijo
no garoto e disse: "Pronto, agora vai sarar". E todos os
nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de
chegada. O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos.
E as pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam repetindo essa
história até hoje. Porque? Por que, lá no fundo, nós sabemos que o
que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho. O que importa
nesta vida é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique
diminuir o passo e mudar de curso.
(Texto
obtido na Internet, autoria desconhecida).
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SEÇÃO CIDADANIA - "O dinheiro
que não é destinado às escolas ou às creches será, cedo ou tarde,
destinado às prisões". Pierre Bordieu, sociólogo, professor do
Collège de France, em entrevista à Folha de SP (Caderno Mais),
de 07/02/99.
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EVENTOS
V ENCONTRO DE ASSOCIAÇÕES E GRUPOS DE
APOIO À ADOÇÃO - RIO DE JANEIRO - 25 A 28 DE MAIO DE 2000.
RIO OTHON PALACE HOTEL - PROMOÇÃO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA TERRA DOS
HOMENS
E DOS GRUPOS DE APOIO À ADOÇÃO DO RIO DE JANEIRO. Host Eventos - Aos
cuidados de Márcia Azevedo. Endereço: Rua General Venâncio Flores
305 - 708 - Leblon 22441-090 - Rio de Janeiro. Telefone: 259 4852
- Fax: 511 5130 - E-Mail: hostrio@ibm.net.
Estão recebendo a inscrição de trabalhos.
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LIVROS
ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA ADOÇÃO
de Lidia
Weber. Curitiba: Editora Juruá,
1999.
SUMÁRIO
Apresentação
- Dra. Eunice
Granato
; Prefácio - Dr. Pedro Caetano de Carvalho; 1. Família adotiva: o
exercício para vencer o preconceito; 2. Interpretação livre de filmes
infantis contextualizando o tema adoção de crianças: Tarzan - Pinóquio
; 3. Critérios de seleção de pais adotivos: em discussão ; 4. Estudos
sobre ajustamento de filhos adotivos: mitos e realidades ; 5. Adoções
especiais: mães e pais solteiros; homossexuais e adoções inter-raciais
; 7. O significado da pesquisa sobre adoção de crianças ; 8. Desejos
e expectativas de pessoas habilitadas para uma adoção ; para uma adoção;
9. Uma pesquisa sobre adoções nacionais e internacionais ;
que já realizaram uma adoção ; 10. Uma pesquisa de campo sobre
conceitos e preconceitos acerca da adoção; análise das adoções de
crianças em uma instituição.
HISTÓRIAS DE NOSSAS VIDAS – os meninos de
Quatro Pinheiros. Curitiba:
Fundação Educacional Meninos
e Meninas de Rua profeta Elias, 1999. (41 833-1159)
SUMÁRIO
Apresentação:
Daniela Mercury
Introdução
Antes
da Rua
Na
Rua
Algumas
Experiências
Na
Chácara: a escolha; razões para ficar; longe das drogas; trabalho;
convivência; a comunidade de Quatro Pinheiros; a escola; futuro.