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A BIRRA E OS LIMITES NA EDUCAÇÃO Flávia Kimi Arantes – psicóloga de Curitiba
Tema de infinitas discussões, assunto para revistas e constante queixa nos consultórios psicológicos, a educação infantil e de adolescente nunca sacia as dúvidas dos pais. Como tratar meu filho adolescente? O que fazer com a criança que esperneia no mercado? Os pais de hoje pertencem à geração do "É proibido proibir". Marcados pela repressão política de sua época, tentam hoje criar seus filhos com total liberdade de opinião e de comportamento. Os resultados são catastróficos: crianças ditadoras e adolescentes rebeldes!!!! Os pais, na ânsia de educar com liberdade, se esqueceram que limites são necessários. Educar com limites adequados requer muita disciplina e tenacidade por parte dos pais. No consultório de psicologia os casos são clássicos. A criança de anos cinco anos faz o que quer, na hora que deseja e os pais não conseguem nem impor hora para o filho ir para cama. Seguir certas regras é fundamental para o desenvolvimento infantil. Afinal de contas, o mundo é cheio delas e aprender a lidar com pequenas frustrações desde pequeno pode ajudar a criança a ser um adulto mais estável emocionalmente. Tarefa árdua no aconselhamento de pais é fazê-los perceber que impor certas regras agora é importante para o futuro de seus filhos. Os pais acham que perderão o amor dos filhos, caso façam exigências de comportamento e tentam poupá-los de regras, uma vez que no futuro eles já terão muitas a seguir. "Ele é apenas uma criança!", dizem os pais com pena dos pequenos tiranos. Após algumas sessões e discussões sobre a necessidade de imposição de limites à criança, começamos a dura fase do aconselhamento propriamente dito, onde elaboramos, em conjunto, as estratégias usadas nessa guerra contra a birra e a rebeldia. A birra é um comportamento apresentado comumente por crianças a partir dos 18 meses de idade. Quando contrariadas, choram, esperneiam, puxam os cabelos (os próprios e os alheios!), se jogam no chão e tudo mais que se permitir. A criança nessa idade quer ser independente, mas cabe ao adulto impor certos limites a ela. A forma dos adolescentes rebeldes expressarem sua intolerância a limites é diferente. Eles "matam" aula, fogem de casa, roubam ou respondem aos pais agressivamente. Os pais geralmente têm dois tipos de conduta frente ao caos que se instala depois daquele "não". Ou eles punem ou cedem às imposições. Na orientação a pais tentamos esclarecer certas regras de conduta. Os pais também obedecem regras, como por exemplo, nunca voltar atrás sobre determinada ordem. A criança ou adolescente deve aprender que o que se fala, se cumpre. Que "não" é "não". Aí é que está um dos problemas, pois é muito difícil sustentar um não, e ter que agüentar aquela carinha linda pedindo por favor, ouvir seu choro sentido ou as manifestações mais agressivas. É importante que os pais expliquem os motivos da recusa e digam compreender o quanto é difícil para a criança não fazer o que ela deseja. Precisam demonstrar que entendem e respeitam os sentimentos sem, no entanto, voltar atrás na decisão tomada. Para diminuir as frustrações e o sentimento de culpa por sempre dizerem não, os pais podem fornecer à uma criança pequena uma alternativa de comportamento adequado, como "você não pode riscar a parede, mas há papéis onde você pode rabiscar a vontade". A criança aprende facilmente como agir com os pais e sabe que toda vez que se joga no chão da loja de brinquedos, esperneando e gritando, seus pais (morrendo de vergonha) dão a ela o que pediu. Para esse tipo de conduta, só há duas alternativas. Ou os pais compram o que a criança quer, quando esta pede adequadamente, sem choros, ou não dão atenção a ela enquanto ela faz seu show e todos em volta perguntam quem são os pais daquela pobre criança. Essa última alternativa é muito dolorosa tanto para pais quanto para as crianças. No entanto, a criança também irá aprender rapidamente, que essa técnica não funciona mais com os pais. Os pais devem, antes de sair de casa, fazer um acordo com a criança, explicando sobre a conduta mais adequada e o que farão caso ela insista em algo. E o mais importante: manter essa decisão. Quando a alternativa é punir o comportamento, o resultado é muita ansiedade e nenhum resultado. A criança não deixa de exibir o comportamento problema e se mostra insegura quanto ao amor dos pais, com sentimentos de rejeição e ansiedade. Com o adolescente, as coisas não mudam muito. É muito comum os pais dizerem que os deixarão de castigo por um mês e depois de uma semana, centenas de pedidos e gritos, voltarem atrás. Os pais não devem impor castigos que sabem que não podem cumprir, pois dessa forma perdem a credibilidade com o filho. Manter a palavra é essencial para a imposição de regras e limites no comportamento de crianças e adolescentes. Depois da "crise", os pais devem procurar as crianças ou adolescentes e conversar com eles de forma afetuosa, sobre seus sentimentos e o quanto os entendem e os amam. Com a certeza do amor dos pais, será muito mais fácil para os filhos aprenderem a suportar as frustrações do mundo. Aos pais só se pode desejar muita tenacidade!!!!
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